Maria Cristina de Castro deixou-nos há  5 anos.  A minha querida professora de canto, completaria hoje 84 anos. Foi uma das melhores  cantoras de ópera em Portugal e foi a voz de todas as vozes. Depois de uma carreira brilhante como cantora, foi professora no Conservatório e deu aulas particulares a alguns dos melhores cantores portugueses.

Era a voz que nos dava voz. A voz amiga que nos escutava, que apaziguava as dores da nossa alma. Era quem nos aconselhava, quem nos dava lições de vida, quem  nos encaminhava espiritualmente. Era uma pessoa muito simples e muito dedicada à sua profissão. De um rigor e respeito à profissão, como é difícil encontrar. Fez um percurso profissional notável e um percurso espiritual sublime, que lhe permitiu viver em paz e tranquilidade e preparar-se para a partida para o outro lado da vida. Era a nossa segunda mãe! A mãe de tantos que diariamente se dirigiam à sua casa para aprender a aplicar a voz e receber os seus brilhantes ensinamentos, de técnica… e de vida.

Jamais esquecerei as mais de duas décadas em que pude ser uma das suas alunas e testemunhar o seu talento e o seu grande coração.

Até já querida Cristina. Que as luzes do céu se acendam para  sempre, para que possamos todos assistir, daqui, ao espetáculo de brilhantismo e talento que começou no céu, no dia em que recebeu a sua querida e iluminada estrela: Maria Cristina de Castro.

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La Traviatta

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O Barbeiro de Sevilha

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Cristina e eu nos bastidores antes de um concerto dos seus alunos em que também interpretei algumas árias de ópera.

Curriculum (resumo): Iniciou a sua carreira aos 20 anos.Estreou-se no Teatro Nacional de São Carlos, em 1955, com um papel em “Tannhauser”, local onde protagonizou inúmeras óperas.
Um dos pontos altos da sua carreira,  deu-se  em 1958 quando deu voz a Annina ao lado de  Maria Callas, na ópera “La Traviatta”.
Foi considerada a melhor cantora estrangeira, num concurso internacional de canto, realizado em 1960, em Liverpool- Inglaterra. Durante a sua brilhante carreira pôde também colaborar com a Companhia Portuguesa de Ópera, do Teatro da Trindade, em Lisboa, cantando a Rosina de “O Barbeiro de Sevilha”.
Mais tarde, estreia-se na docência, iniciando um percurso sublime como professora de canto no Conservatório Nacional e também em aulas particulares  até ao final da sua vida. Faleceu no dia 12 de outubro de 2010, com 79 anos.