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Estas paredes viram nascer e crescer várias vidas. Nestas paredes, viveu-se, sofreu-se, houve risos,  celebrações e vida a brotar como flores na primavera.

Sucederam-se dias e noites, até que as vidas se apagaram, as telhas caíram e as paredes desabaram. No entanto, os dias continuaram a nascer, as aves a voar e a vida a acontecer, como se aquelas pessoas não tivessem existido. Como se se tivesse passado uma borracha sobre elas e as fez desaparecer. As memórias perdem-se e as vidas regressam a casa.

Um dia, as paredes darão lugar a vigas que irão reerguer a casa que irá servir de tecto a mais um casamento, verá nascer mais vidas e apagar-se outras. E a vida continua, com novas vestes, outros corpos, outras mentes, outros modos. Os risos serão outros, as lágrimas choradas por outros motivos e os amores acabarão por outras razões. E a vida continua e as casas continuam a ser testemunho de vidas e vidas que acabam e começam, como se nada fosse.

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